domingo, 20 de março de 2011

ANOTAÇÕES SOBRE "LEGIÃO" (2):

OBRA: LEGIÃO
AUTOR: ROBSON PINHEIRO
ESPÍRITO: ÂNGELO INÁCIO
EDITORA: CASA DOS ESPÍRITOS
 
DA PROPOSTA DE TRABALHO: 

"Não tenho comportamento ortodoxo nem me encaixo nos caixotes mentais que engessam o pensamento." (Ângelo Inácio)

A PROPOSTA DE TRABALHO surge na organização de uma excursão aos Planos mais densos; seguida do desenvolvimento de uma tarefa de psicografia; onde seriam transmitidas as informações e experiências adquiridas nessa incursão ao Reino das Sombras.

CARACTERÍSTICAS DOS AUTORES ESPIRITUAIS:

Dentro do trabalho proposto - cada um trata do assunto sob um aspecto, sempre de acordo com sua habilidade ou especialização:

ZARTHU: Discorre sobre os componentes psicológicos que envolvem o intrincado processo utilizado por magos e cientistas; falando sobre os modelos mentais desses Espíritos; traçando um mapa psíquico de seu comportamento, nos processos de Obsessão Complexa.

JOSEPH GLEBER: Trata dos fundamentos científicos dos processos de Obsessão Complexa: Síndromes dos Aparelhos Parasitas; e define o comportamento das partículas mentais e das correntes parasitas de pensamento desorganizado.

ESTEVÃO: Apresenta os elementos ligados ao pensamento evangélico, falando a respeito dos processos obsessivos nos tempos bíblicos; e, em seguida, da Era Cristã em diante; culminando com o pensamento de Allan Kardec e a necessidade de atualização da metodologia e do conhecimento sobre o assunto. Ressalta a importância dos médiuns colocarem-se à disposição, para uma abordagem mais ampla e detalhadas, no tocante ao "Reino das Sombras".

Vale ressaltar, no entanto, a necessidade de um médium encarnado, nessa excursão; para doação de certa quantidade de ectoplasma. É preciso buscar um médium experiente, não apenas pela maior facilidade em doar esse tipo de fluido tão necessário; mas muito mais pela qualidade deste mesmo fluído. Além disso, a presença de um médium com clarividência extrafísica contribuirá, sobremaneira, na tarefa proposta.

QUESTÕES RELACIONADAS À MEDIUNIDADE:

Ângelo Inácio: Todos os médiuns gozam de vidência desenvolvida, quando desdobrados no Plano Espiritual ?

Pai João de Aruanda: Não. A grande maioria ainda transita entre as expressões da matéria e as impressões que guardam da Vida Espiritual; sem a necessária lucidez, quando atuam fora do Corpo. Tudo é questão de exercício, trabalo e dedicação. (...) Alguns dos médiuns, atualmente encarnados na Crosta, vem de um passado do qual receberam iniciação espiritual, em antigos templos e no seio de povos que já não existem com a glória de outrora. Com experiências na Atlântida, Egito, ou junto a outros povos da Antiguidade; diversos sacerdotes do passado permanecem aperfeiçoando-se ou resgatando a paz de Consciência, em meio às lides espíritas. Muitos são médiuns que, atualmente, lidam com as questões do Psiquismo; orientados por Espíritos que os dirigem no nosso Plano. O conhecimento adormecido nos encaninhos da Memória Espiritual, desperta ou emerge das profundezas do Campo Mental; na hora necessária para a utilização adequada.

Ângelo Inácio: Todos os médiuns são iniciados de outras épocas?

Pai João de Aruanda: Não. A grande maioria são Espíritos endividados, que aproveitam a sagrada oportunidade da Mediunidade, para resgatarem seu passado, em nome do bem; enquanto aprendem a lidar com as manifestações do Psiquismo.  Aqueles que foram iniciados, no passado, cujo conhecimento e experiências estão arquivados na Memória Espiritual, são reconhecidos pelo trabalho no Bem. Infelizmente, nem todos permanecem fiéis ao mandato espiritual ou ao compromisso assumido, antes de reencarnar. Com isso retardam o progresso espiritual e comprometem a incumbência que receberam;adiando projetos traçados do lado de cá da vida, por elevados Amigos do Mundo Maior. 

Ângelo Inácio: É possível afirmar que no mandato mediúnico existem dois tipos de tarefas e tarefeiro: os que já experimentaram a vivência mediúnica no passado; e os que estão tendo pela primeira vez?

Pai João de Aruanda: "Muitos são os chamados; poucos os escolhidos."

Nota-se duas categorias de pessoas que colaboraram com o trabalho do Mestre:

DISCÍPULOS: Chamados a servir como aprendizes da Escola Espiritual que Cristo coordenou. A essa classe numerosa, eram dados ensinamentos espirituais compatíveis com sua experiência e capacidade de entendimento.

APOSTOLADO: Conferido a poucos. Aqueles que dele usufruíram, foram eleitos pelo Mestre, devido a seu curricullum espiritual; que registrava uma ficha de serviços mais intensa e absoluta.
Diz o Evangelho: "Muitos discípulos, poucos apóstolos". A estes eram conferidos ensinamentos mais detalhados; que exploravam tudo aquilo que, aos outros, era transmitido apenas por parábolas.

Em contrapartida, exigia-se dos APÓSTOLOS, atitudes mais condizentes com a importância da tarefa confiada.

TRANSPORTANDO PARA O CAMPO MEDIÚNICO:

Muitos recebem o chamado da MEDIUNIDADE , como DISCÍPULOS DO MESTRE; porém, como médiuns, não dão respostas em sua vida e atitudes, com a intensidade que o SERVIÇO  APOSTOLAR exige. Continuam, portanto, como MEROS DISCÍPULOS.

Há, no entanto, aqueles poucos que traduzem sua tarefa em obras de verdadeiro heroísmo espiritual; deixando suas marcas por onde passam.É inegável que estes médiuns receberam outorga divina e já trazem, de seu passado, larga experiência no trato com questões espírituais; o que lhes impõe certo ritmo ou conduta. Constroem sua obra espiritual e, à medida que avançam, vão arrebanhando outros discípulos do Mestre; que caminham, tendo nestes servidores, uma espécie de referência ou modelo para seu roteiro de vida, em busca da Espiritualidade.

MÉDIUM: Apóstolo moderno; onde muitos são os chamados, mas muito poucos são os escolhidos para um tarefa específica.

COMENTÁRIOS:

No campo mediúnico, a questão DISCÍPULO e APÓSTOLO é um ótimo tópico de debate. O fato de que muitos são chamados e poucos os escolhidos; pode gerar duas espécies de sentimento que merecem atenção.

ORGULHO: O fato de ser um escolhido não deve ser motivo de orgulho; e sim de preocupação. Preocupação em desempenhar, cada vez mais e melhor, a missão que assumiu. Quem foi escolhido é porue tem o compromisso maior; e a capacidade suficiente para cumpri-lo.

INFERIORIDADE OU FUGA: a famos expressão "isso não é para mim" parece muito mais um instrumento de fuga, diante daquilo que não se quer assumir; do que reconhecimento da própria ignorância. Ninguém é ignorante o tempo todo. Basta interesse em aprender; a capacidade aparece e a evolução acontece. Quem nasceu sabendo que atire a primeira pedra!

Vale, portanto, refletir:

Quem somos nós ? Apóstolos assumidos e responsáveis; ou meros discípulos, assistindo a tudo com a mesma indiferença de antes ? Continuamos "na praça, dando milho aos pombos" enquanto a Humanidade caminha e a vida acontece ?

Partindo do princípio que somos exatamente aquilo que fizemos de nós, é bom lembrar que a condição de DISCÍPULO ou APÓSTOLO depende muito mais da nossa disponibilidade em querer assumir nosso compromisso de transformadores de realidades; do que de meros convites em função de algum mérito nosso.

Há uma sensível diferença entre o papel que nos cabe nessa trajetória; e o papel que queremos assumir! (Talvez fosse mais interessante sumir!) Ambos, tem consequências. Resta saber qual delas nos convém mais.

É preciso acordar para a realidade das coisas do Espírito. É preciso despertar para um compromisso escolhido por nós mesmos, em dado momento de nossa trajetória evolutiva; em uma de nossas muitas passagens pelo mundo de lá.

Já fomos e voltamos muitas vezes; mas aprendemos muito pouco. Continuamos achando que é 
sempre a primeira e a última vez; e boicotamos a nós mesmos; em uma teimosia de muitos séculos.

Dizem que quando o discípulo está pronto, o Mestre sempre aparece. Mas quando o discípulo boicota todas as oportunidades concedidas; e abre mão do compromisso, alegando que "ainda não está na hora"; o Mestre sai correndo em busca de outro! A fila anda, a Humanidade caminha... e o tempo passa! Só o Espírito continua, em sua trajetória de oportunidades; aproveitadas ou não! Tudo isso acontecendo e nós aí na praça dando milho aos pombos. Até quando ? 

"Nunca lhe disse que seria fácil. Disse-lhe, apenas, que compensava." (Everilda Batista)

Elaboração: Kika 

ANOTAÇÕES SOBRE "LEGIÃO" (1):



OBRA: LEGIÃO
AUTOR: ROBSON PINHEIRO
ESPÍRITO: ÂNGELO INÁCIO
EDITORA: CASA DOS ESPÍRITOS

PREFÁCIO:

"Sombra e luz, escuridão e claridade. Essa realidade dupla forma o interior do ser humano; que tenta negar-se a cada dia; enganado-se. A maioria das pessoas quer ser apenas luz. Recusam-se a identificar a sombra que faz parte delas."

"Várias tentativas foram realizadas para conscientizar o homem terreno de que as chamadas trevas exteriores são apenas o reflexodo que existe dentro dele."

"Luz e sombra são aspectos internos do ser e não representam necessariamente um lado ruim e outro bom. A sombra não é pior do que a luz. Apenas faz parte de um equilíbrio universal ainda necessário para a visão do homem terrestre. São dois pólos de uma verdade interna, mas profunda."

"Quando é proposta a realização de uma excursão aos domínios das sombras, espera-se que haja coragem para admitir que esse reino obscuro tem sua raiz dentro do próprio ser humano. É preciso reconhecer que a natureza do Plano Astral, da paisagem extra-física, é apenas a exteriorização do mundo íntimo de cada um."

"Esse mundo de trevas e escuridão é algo muito mais enraizado no ser humano; não é realidade extra-humana, mas intra-humana. Se você evita conhecer-se, rejeitando que é, simultaneamente, sombra e luz; não há razão para prosseguir nessa jornada de descobrimento interno."

"Adentrar o Umbral ou o Astral Inferior é obrigar-se a penetrar na própria sombra. Conhecer as estruturas internas das falanges do mal é, sobretudo, conhecer a própria capacidade de esparzir escuridão em si e em torno de si."

"Para decepção dos que adotam idéiais mística e fantasiosas, o céu está vazio."

COMENTÁRIOS:

Este Prefácio nos remete a alguns aspectos encontrados em "Nosso Lar", de André Luiz. Vejamos algumas anotações referentes àquela obra:

No Capítulo I - Zonas Inferiores - André Luiz descreve, em detalhes, sua passagem pelo Umbral - uma faixa vibracional extremamente densa, em outra dimensão do Planeta Terra. Nessa diferente faixa de vibração da matéria, o Espírito se depara com todos os seus vícios e imperfeições; e consequentemente, sofre com isso.

O Umbral, portanto, não passa de um "estado de espírito", uma condição moral de sofrimento, a que estão sujeitos os Espíritos; em decorrência de suas próprias atitudes, formas-pensamento e sensações; durante sua existência na matéria, ou mesmo além dela.

Assim, é correto afirmar que, no Umbral, tudo o que aparece fora de nós, é consequência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece, é mero reflexo do que trazemos na Consciência. Daí concluir-se que, todas as formas assustadoras que assombraram André Luiz, na atmosfera lodosa do Umbral, nada mais eram do que a personificação de seus próprios erros e imperfeições; reflexos de uma Consciência em desequilíbrio.

Poderíamos, portanto, conceituar Umbral como sendo uma faixa de frequência vibratória a que se ligam os Espíritos desequilibrados; cujos interesses, desejos, pensamento e sensações tem afinidade e sintonia. É uma região energética densa, onde os afins se encontram e convivem; dando vasão a seus instintos; e convivendo com tudo aquilo que lhe é mais característico.

Na verdade, o Umbral funciona como um grande filtro, cuja passagem "faz drenar energias negativas acumuladas em uma encarnação de descaso e irresponsabilidade com a própria Consciência e com a dos outros"; atitudes bem características do Espírito humano, ainda engatinhando em seu longo processo evolutivo.

Cabe aqui relembrar Emmanuelm, quando afirma que "o ceú começa sempre em nós mesmos; e o inferno é do tamanho da rebeldia de cada um."

E André Luiz complementa: "Se milhões de raios luminosos formam astros brilhantes; é natural que milhões de pequenos desesperos integrem um inferno pereito. Herdeiros do Poder Criador que somos; geraremos forças afins conosco, onde estivermos."

Partindo do princípio que somos exatamente aquilo que fizemos de nós; o Umbral nada mais é do que o refleo de tudo isso. A bem da verade, uma superprodução humana, onde a Sombra fo mais alimentada que a LUZ.

"LEGIÃO" vem dar visibilidade a essa dualidade: Sombra e Luz. Resta-nos, somente, escolher qual delas alimentar.

Elaboração: Kika